POSSE RESPONSÁVEL |
Conhecendo o comportamento canino É um assunto bastante abrangente e talvez complexo sob o ponto de vista leigo. Seria impossível explicar tudo em poucas palavras, mas é o principal fator que deveríamos conhecer bem quando nos prontificamos a ter um cão. Saber a respeito de comportamento canino é conhecer bem seus sentidos, instintos, reflexos, suas necessidades, expressão facial e corporal e as diferentes maneiras de agir dos diferentes indivíduos caninos. Um cão desde os primeiros dias de vida começa naturalmente desenvolver uma série de comportamentos. A grande diferença está na pessoa que conhece comportamento e tem habilidade para mexer com o cão, pois este prevê situações de futuro e deixa desenvolver apenas os comportamentos desejáveis, não induzindo e nem permitindo se quer o início dos comportamentos indesejáveis. As poucas pessoas que se preocupam em buscar informações através de cursos, seminários, e outros, geralmente já estão convivendo com problemas de relacionamento com seu cão (principalmente em caso de cão adulto), mas geralmente isto se resolve ou melhora. Já as pessoas que não querem elas mesmas buscarem conhecimento e habilidade para manusear seu cão, e nem mesmo contratar um profissional competente, preferem então desfazer do cão, podendo estar reiniciando o ciclo de problemas, dependendo deste outro dono ou de quem vai cuidar (e o cão mais uma vez poderá sofrer). Conhecer o comportamento canino é fator principal no processo de educação e adestramento, assim sendo a suposta pessoa conhece então a causa do mal ou bom comportamento e como solucionar, enfraquecendo, fortalecendo ou até mesmo mantendo um determinado comportamento. Os principais problemas de relacionamento é a falta de controle e até mesmo a indefinição de liderança que por muitas vezes gera conflitos em determinadas situações causando eventuais acidentes. Todos os criadores, além dos cuidados e da infra-estrutura necessária, devem também orientar o novo dono no momento da compra, quanto à importância de educar e adestrar o respectivo cão. O ideal seria primeiro conhecer e depois adquirir, não deixando-se levar apenas por momentos que agradam nossos olhos e coração. Precisamos deixar um pouco o sentimento e fazer uma análise das reais necessidades humana para se ter um cão e ser responsável pelos atos do seu cão no lar e no meio social. Escolha do Filhote Normalmente se compra um cão ainda filhote, pelo fato da adaptação, educação e adestramento serem mais facilmente implantados (modelados). Pois com um cão adulto com personalidade canina formada certamente teremos mais trabalho. • OBJETIVO Em nosso caso, vamos tratar a escolha de um filhote para investirmos em treinamento para Provas de trabalho. Embora não pareça, o investimento com relação às aulas de adestramento é bastante significativo, pois demanda muita dedicação, tempo e persistência. Isto significa inúmeros treinos na chuva, no sol nos mais variados horários e locais, levantar bem cedo e rodar muitos quilômetros para encontrar um local adequado para se treinar faro. • ADESTRADOR Para se treinar verdadeiramente cão de trabalho é preferível que a pessoa designada já tenha uma boa experiência ou alguma formação na área de adestramento, comportamento canino e conhecer provas de trabalho. Pois cães que possuem os pré-requisitos necessários, em geral necessitará de muita habilidade por parte do adestrador. • INDIVÍDUO CANINO Em se tratando de cão de trabalho, devemos analisar o indivíduo mais adequado para este fim, ou seja, podemos começar analisando cães adultos (machos e fêmeas) que apresentaram ou apresentam melhores resultados nas provas, no sentido de surgir possivelmente futuras ninhadas com estes padreadores. • PESQUISA Onde estão os melhores cães, comprovadamente? Você poderá obter junto a um clube ou núcleo, uma lista dos melhores criadores, porém muitos não dão à devida atenção e nem conhecem fatores ligados ao temperamento e disposição para o trabalho, portanto estes importantes pré-requisitos para acasalamento muitas vezes estão fora do plano de seleção. Se você encontrar um canil, que não faz nenhum tipo de seleção se quer, você pode descartar este canil. Bons criadores colocam a seleção acima de tudo e a prioridade é contribuir para a qualidade da raça. Se você encontrar cães realmente selecionados, isto é fator favorável e você pode continuar sua análise, porém procure saber de forma comprovada, os resultados nas provas de trabalho, e de uma atenção especial neste pré-requisito. • DOCUMENTAÇÃO Tudo deve ser comprovado, desde Pedigree, Título de trabalho, Laudo do exame de displasia coxofemoral, Qualificação de exposição, Certificado de seleção, etc. • ANÁLISE DA ÁRVORE GENEALÓGICA Você deve analisar as gerações anteriores, o lado paterno e o lado materno, saber se já produziram bons filhotes, saber da carreira que estes cães tiveram, resultados de exposições, laudo RX Displasia coxofemoral e principalmente com relação as provas de trabalho. • NINHADA Escolher um filhote na prática, é a última coisa que temos que fazer, pois todo o estudo já foi feito anteriormente e preenchido os pré-requisitos importantes para o nosso objetivo. Numa ninhada, os indivíduos caninos em geral são bastantes diferentes um dos outros. Analisando o aspecto comportamental, que é um fator de grande importância, podemos prever e aumentar a probabilidade de termos um indivíduo canino promissor para o futuro. Isto implicará várias visitas ao canil, agendada previamente com o criador, para analisar a ninhada sem nenhum compromisso. Se você ainda é inexperiente, opine em consultar um profissional atualizado e participante ativo de provas de trabalho, e até mesmo em assessorá-lo na escolha. Lembre-se, um experiente vai escolher tecnicamente e com muito "olho clínico", e um leigo em geral escolhe com o coração, tentando enxergar apenas beleza física. • ANALISE DO FILHOTE SÓZINHO Vamos analisar cada filhote separadamente com pelo menos 60 dias de idade. • AMBIENTE Vamos colocar um filhote em um ambiente desconhecido e analisar suas reações. O ideal para nós, é que este filhote seja indiferente ao novo ambiente, mostre-se desinibido, percorrendo o ambiente seguro e explorando-o sem nenhuma restrição. • APROXIMAÇÃO Paramos próximo do cão (mais ou menos 2 ou 3 metros), tentamos estabelecer algum contato, batendo palma (barulho baixo), agachando ou emitindo algum som com a nossa voz de forma receptiva. O ideal é que ele venha bastante rápido e com expectativa, interessado em alguma coisa e sem nenhuma desconfiança. Se ele mordiscar sua mão, a barra da calça ou seu sapato, ou até mesmo tocar com a pata em você, não descarte o filhote. • ACOMPANHAR Após o teste anterior, levante e se afaste devagar, estimulando-o a acompanhar com voz suave e batendo palmas. Queremos que o cão siga logo e animado e com muita expectativa. • SENSIBILIDADES (através dos sentidos) Através dos sentidos do cão, devemos analisar seu comportamento (reações). • AUDIÇÃO O cão deve permanecer indiferente ou curioso ao barulho apresentado. • VISÃO Também deve ficar indiferente às novas alterações visuais no ambiente, ou recuperar-se muito rápido de alguma surpresa visual nas proximidades, como uma caixa de papelão que se move, o guarda-chuva que se abre, a cortina que se fecha etc. • TATO Precisamos saber se o filhote é receptível ao tato (gosta de ser tocado em todas as regiões), mais que isto, se ele não é sensível fisicamente, suporta toques mais fortes. Um cão sensível fisicamente, sente facilmente a dor. • NÍVEL DE ATIVIDADE (através dos instintos) É importante que todos os instintos sejam bem pronunciados. • CAÇA O filhote deve apresentar forte desejo de pegar (abocanhar rapidamente), qualquer objeto (não prejudicial) que você estimule próximo ou bem perto dele. Ex.: Uma bolinha que você mexe simbolizando uma presa que quer fugir (escapar). • SOBREVIVÊNCIA O filhote deve ser bastante guloso, apresentando forte interesse na hora de comer. Lembre-se, o cão que come bem, em geral também se recupera rápido de uma possível doença e facilitará em muito no adestramento, principalmente no treinamento de faro. • DEFESA Aqui o filhote é muito novo para testar este instinto, no entanto podemos ter uma idéia quando em conjunto com outros filhotes ou irmãos (matilha). • ANÁLISE DO FILHOTE NA NINHADA Todos os fatores que observamos junto a nós, agora podemos analisar naturalmente entre os outros membros (irmãos). Você poderá observar e confirmar o resultado dos testes realizados anteriormente, aquele que passa maior parte do tempo procurando o que fazer (mais ativos), também ver aqueles com menor sensibilidade, durante as brincadeiras e lutinhas entre os irmãos, bem como, aquele mais faminto na hora de comer, persistência, resistência, etc. REFLEXÃO Uma pessoa que não possui experiência, poderá achar que um cão muito ativo, mas que na realidade está muito longe de ser, pois esta pessoa ainda não viu o que é realmente um cão ativo, e assim poderá ocorrer sucessivamente com relação a outros fatores a serem analisados. Alguns competidores de nível internacional, acabam por escolherem, depois de toda triagem, dois ou três filhotes, em geral de ninhadas e padreadores diferentes. Por volta de 10 meses de idade e, em treinamento, o adestrador já tem como definir melhor aquele mais promissor e geralmente fica apenas com dois. Posteriormente, entre 12 e 14 meses, concluí-se aquele que será um forte potencial, e então definitivamente os esforços serão concentrados na formação total deste cão. Estas recomendações não visam deixar, uma pessoa devidamente capacitada para fazer escolha de filhotes, e sim apenas uma noção básica dos pré-requisitos para encontrar um cão especificamente para provas de trabalho. Autor: Orisval Martins de Lara Árbitro de Provas de trabalho - CBKC
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